Simpósio Estadual da Fase debate experiências e alternativas para a qualificação do trabalho socioeducativo no RS
Servidores de todo o Estado apresentaram ações ligadas à Diversidade, ao Trabalho Socioeducativo e ao Protagonismo Juvenil
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A Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) promoveu, na PUC/RS, em Porto Alegre, Simpósio Estadual Sobre Socioeducação para debater atualizações do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e para compartilhar ações e projetos desenvolvidos nas oito regionais do Estado. A iniciativa, realizada na quarta e nesta quinta-feira (28/11), debateu os avanços e desafios da política de atendimento socioeducativo, notadamente nas áreas da Diversidade, Trabalho Socioeducativo e Protagonismo Juvenil. Nas mesmas datas, também ocorreu a 3ª edição da Mostra Cultural, reunindo as produções artísticas dos socioeducandos (as).
“Acreditem na capacidade de vocês e no potencial de cada um para transformarem as suas realidades”, disse o secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Luiz Henrique Viana, dirigindo-se aos socioeducandos. O gestor destacou o trabalho liderado pela Fase visando o aperfeiçoamento das medidas socioeducativas de internação e de semiliberdade. “O trabalho do governo do Estado, da Fase, de todos nós, é justamente valorizar as suas vocações e potencialidades para que construam a vida que desejam”, completou.
“Estamos avançando na qualificação do atendimento socioeducativo em todo o Estado. Agradeço a todos os servidores pelo trabalho dedicado que desempenham à frente de suas unidades”, disse o presidente da Fase, José Stédile, acompanhado das diretoras Socioeducativas (DSE), Cláudia Patel, e Administrativa, Simei Pilotti. “O Simpósio está reunindo 58 trabalhos dentro da nossa missão institucional de criarmos novas perspectivas de vida aos adolescentes e jovens adultos”, completou.
Na quinta-feira, foram expostas práticas promovidas nas unidades de internação e de semiliberdade dentro da ótica da Diversidade e Socioeducação. As atividades são marcadas pelo respeito à pluralidade, por meio de iniciativas que abordam questões relacionadas ao gênero, sexualidade, raça, diversidade religiosa, identidade e pertencimento. A diretora da unidade de Semiliberdade de Uruguaiana, Vanessa Porto, e a psicóloga Fernanda Almeida, que atua no Centro de Internação Provisória Carlos Santos (CIPCS-Porto Alegre), mediaram os debates do Eixo 2.
“Fico muito feliz de estar neste evento. A vida é sempre um aprendizado, estamos aprendendo constantemente. É justamente isso que estou fazendo, agora, ao trabalhar com a socioeducação”, refletiu Carla Carrion Frós, responsável pela 3ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Porto Alegre. A promotora valorizou a presença dos socioeducandos de todo o Estado e parabenizou a Fase pelas atividades. “O objetivo de todos nós é sairmos (do evento) melhores do que entramos; trocarmos ideias e aprendermos uns com os outros”, completou.
O simpósio contou, ainda, com apresentação da Banda Liberdade, composta por servidores e socioeducandos do Centro de Atendimento Socioeducativo Regional de Passo Fundo (Case). Também em destaque, a oficina de percussão do Centro de Convivência e Profissionalização (Ceconp-Porto Alegre), que tem o objetivo de resgatar e difundir os valores da cultura afro-brasileira, combater o racismo estrutural e promover a consciência negra. O trabalho originou mais uma bela apresentação de socioeducandos.
Na quinta-feira, as atrações culturais ficaram por conta dos jovens e servidores do Centro de Atendimento Socioeducativo Regional de Uruguaiana (Case), que apresentaram números do projeto “Café, Música, Teatro e Poesia”. Um socioeducando do Case Caxias do Sul também arrancou aplausos dos participantes com suas músicas autorais. À tarde, jovens e trabalhadores do Case Santo Ângelo demonstraram os resultados de algumas oficinas realizadas na unidade, entre elas, o projeto "Música Asas da Liberdade".
“Estou muito feliz por representar os socioeducandos na abertura do evento. É muito bom ver tantas pessoas reunidas com objetivo de melhorar o atendimento nas unidades e para nos ajudar neste momento”, disse um jovem de 15 anos, atendido pela unidade de Semiliberdade de Uruguaiana há 60 dias. “A Fase não é o fim, mas sim, a oportunidade para recomeçarmos”, disse.
Também presentes, a diretora de Políticas Socioeducativas da SSPS, Gabriela Cruz, o assistente técnico do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Alex Vidal, a coordenadora do Serviço Social da Indústria (Sesi/RS), Hilda Liana Silva Diel, a coordenadora de aprendizagem e desenvolvimento social do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE/RS), Melania Lisiak, diretoras das escolas estaduais anexas às unidades de internação da Fase, bem como servidores e socioeducandos das oito regionais: Porto Alegre, Novo Hamburgo, Caxias do Sul, Pelotas, Passo Fundo, Santa Maria, Santo Ângelo e Uruguaiana. CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO SIMPÓSIO AQUI
Painéis temáticos
“É importante ampliar a questão da Saúde Mental na esfera da socioeducação”, resumiu Fernanda Amador, defendendo que os empregadores criem instâncias permanentes para o debate das rotinas profissionais. “Os trabalhadores precisam poder analisar e discutir os efeitos das suas criações cotidianas. É uma estratégia simples, complexa e a mais importante para promover saúde no ambiente de trabalho”, refletiu.
“Esse evento tem potencial para se tornar um grande marco da socioeducação no Rio Grande do Sul. Vida longa ao Simpósio da Fase”, desejou Maurício Perondi, cumprimentando a Fundação pela iniciativa e valorizando a oportunidade da troca de experiências que ajudam a entender a realidade das medidas socioeducativas em todo o Brasil. “As pesquisas são fundamentais para basearmos as nossas ações e as políticas públicas. Os estudos sinalizam desafios e recomendações”, refletiu.
O evento foi liderado pela Diretoria de Qualificação Profissional e Cidadania (DQPC), por meio da Coordenação de Formação Permanente (CFP), da Coordenação Pedagógica (CP) e do Núcleo de Treinamento, Estágios e Voluntários (NTEV).
Nas mesmas datas, também ocorreu a 3ª edição da Mostra Cultural. Aguarde matéria com os detalhes sobre o evento que reuniu as produções artísticas dos socioeducandos (as).





