Combate à violência de gênero é tema de atividade formativa da Fase
Atividade virtual promoveu reflexões sobre gênero, violência e qualificação das práticas socioeducativas
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Dentro das ações alusivas ao mês da mulher, a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) promoveu, nesta quinta-feira (26/3), a formação “Gênero, Violência e Socioeducação”, voltada aos servidores de todas as regionais do Estado, com o objetivo de fomentar reflexões sobre políticas públicas e fortalecer as redes de proteção.
A atividade proporcionou um espaço de debate sobre os desafios institucionais e as possibilidades de qualificação das práticas socioeducativas, reforçando os princípios da proteção integral, dos direitos humanos e das diretrizes do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).
No campo da socioeducação, avaliam os organizadores da atividade, a temática do encontro é muito presente, considerando que muitas adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa têm suas histórias marcadas por experiências de violência doméstica e desproteção familiar.
“Que sejamos capazes de escutar, nos sensibilizar e, principalmente, partir para ações efetivas de enfrentamento à violência de gênero”, refletiu a coordenadora de Formação Permanente da Fase, Jamille Serres, valorizando a proposta destinada às servidoras das oito regionais do Estado.
Durante o encontro, as profissionais apresentaram duas pesquisas acadêmicas alinhadas aos temas abordados: uma voltada à análise da rede de atendimento às mulheres em situação de violência em Porto Alegre e outra dedicada à investigação da política socioeducativa direcionada às adolescentes em internação no Casef.
A iniciativa foi conduzida pela Diretoria de Qualificação Profissional e Cidadania (DQPC), por meio da Coordenação de Formação Permanente (CFP) e do Núcleo de Treinamento, Estágios e Voluntários (NTEV).
Dados de Porto Alegre
“A violência contra as mulheres é um problema estrutural, que atravessa todas as relações, e a sociedade precisa falar sobre isso”, afirmou a psicóloga, que atuou durante seis anos no Centro de Atendimento Socioeducativo Regional de Porto Alegre (Case POA 2).
Desde 2018, Letícia atua como analista na Defensoria Pública do Estado, integrando a Equipe Multidisciplinar de Assistência Psicossocial e o Centro de Referência em Direitos Humanos, onde realiza acolhimento a pessoas vítimas de violência policial e outras violações.
Realidade no Casef
“A categoria gênero surge a partir da luta feminista para diferenciar a construção social da condição meramente biológica”, refletiu. Segundo ela, o trabalho considerou questões transversais relacionadas a gênero, diversidade sexual, direitos humanos e políticas públicas. “O sistema patriarcal coloca em corpos masculinos e femininos valores sociais diferentes, na questão de renda, dupla jornada, escolarização”, pontou.
Especialista em Direito Público, Sabrina destacou que a incorporação da perspectiva de gênero na sociedade ainda ocorre, em grande medida, por meio de iniciativas isoladas, e não como resultado de políticas públicas estruturadas.