Oficinas de crochê capacitam e auxiliam na ressocialização de jovens

Oficina na CSE

Oficina na CSE

Os Centros de Atendimento Socioeducativos (Cases) da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase) do Rio Grande do Sul oferecem inúmeras oficinas aos jovens que cumprem medida socioeducativa propondo momentos terapêuticos e também de profissionalização. Na Comunidade Socioeducativa (CSE) e no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Novo Hamburgo, por exemplo, 40 socioeducandos  participam de oficinas de bonecos e peças decorativas em crochê.

Na CSE, o projeto que leva o nome de “Ponto a Ponto” em função da técnica ser repassada por um adolescente para outro, tem hoje a participação de cerca de 10 jovens. Ele começou quando a agente socioeducadora Rosane Bento – que já tinha conhecimento de crochê – fez uma parceria com a biblioteca da unidade em 2019. Atualmente, o projeto é coordenado pela agente Luciana Machado, com apoio das agentes Márcia Costa, Fernanda Lopes e equipe técnica. Um dos participantes, de 17 anos, conta que após três meses na unidade viu a oficina como uma oportunidade. “Gosto muito do projeto, é uma salvação pra mim. É uma maneira de me ocupar com algo produtivo, ainda mais agora em tempos de pandemia que a gente tem menos atividades”, afirma.

No Case NH, a iniciativa existe desde 2006 e se chama “Mãos Que Sonham”. São cerca de 30 jovens, divididos em pequenos grupos, coordenados pelas agentes socioeducativas Adriana Barth, Mirian Paganotto e Yasmin Vitória Vieira, com supervisão das pedagogas Andréa Herder e Liana Gonçalves. Além de serem produzidas peças decorativas, em 2008, foram introduzidos ao projeto os amigurumis, bonecos confeccionados em crochê a partir de técnica japonesa. “A minha mãe sabe fazer crochê. Antes de eu vir pra Fase eu via ela fazendo crochê em casa e nunca imaginei que um dia eu iria fazer. Amigurumi minha mãe não sabe fazer, esses dias mostrei para ela durante a videochamada um unicórnio que fiz e ela ficou encantada”, relata um jovem do Case NH.

As oficinas têm caráter terapêutico para os socioeducandos, onde são desenvolvidas as habilidades de concentração, raciocínio e coordenação motora, mas, também, a elevação da autoestima. “Eu gosto de todos crochês que eu faço e, quando eu for desligado da unidade, quero tentar ensinar minha mãe a fazer também”, afirma o jovem da CSE.

Além de capacitar os socioeducandos e colaborar com a sua ressocialização, as oficinas podem ser uma oportunidade de geração de renda. “Eles percebem que, caso queiram, é possível ter uma profissão. Pelo menos uma vez por ano damos a possibilidade deles se cadastrarem no Programa Gaúcho do Artesanato, onde recebem a Carteira do Artesão para serem reconhecidos como profissionais autônomos pela Previdência Social”, afirma Liana Gonçalves, pedagoga do Case NH.

Os projetos promovem a integração entre as unidades, já que alguns participantes, depois que possuem as técnicas de confecção já aperfeiçoadas, se dispõem a ensinar. A técnica amigurumi, por exemplo, foi introduzida na Comunidade Socioeducativa quando adolescentes do Case NH fizeram uma visita para demonstrar como é a confecção dos bonecos.

Divulgação

Uma página no Instagram foi criada em setembro para o “Mãos que Sonham”. A intenção é divulgar as peças conforme fiquem prontas para facilitar o contato com quem estiver interessado e também aumentar o alcance do público para o tema da socioeducação.

Texto: Alessandro Sasso

Edição: Jéssica Britto

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