Mãe de adolescente do Case POA I escreve carta de agradecimento aos servidores da unidade

CARTA

A mãe de um adolescente que cumpre medida no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) POA I expressou, esta semana, sua gratidão aos servidores da unidade e também à Fundação, através de uma carta escrita por ela. O conteúdo do texto pode ser conferido abaixo e a carta original se encontra disponível em anexo. Os nomes foram ocultados para preservação de identidade, conforme estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

 

Aos funcionários e colaboradores da Fase,

Prezados,

Venho através desta carta, agradecer a todos pela dedicação neste ano, fazendo um trabalho árduo como sei que deve ser, mas que faz toda a diferença para aqueles que aqui estão. Eu jamais esperei vivenciar este mundo, pois nunca me imaginei passando por este tipo de situação com meu filho.

Tem sido um aprendizado, esses quase dois anos frequentando no mínimo duas vezes por semana esta instituição para visitar meu filho e nesse tempo pude avaliar que, como em qualquer lugar, existe todo o tipo de pessoa e de profissional, mas que acima de tudo existem sim pessoas que sim, estão preocupadas em fazer desta uma “instituição socioeducativa”, como diz o nome, fazendo no seu dia a dia, o melhor que podem, às vezes com pouca ferramenta de trabalho, às vezes até tirando do seu bolso alguma coisa para ajudar nas oficinas internas, nos trabalhos manuais feitos pelos meninos que aqui estão.

Cheguei aqui dilacerada, perdida, com medo do que estava por vir ainda, ouvia falar muito mal desta instituição, que aqui era uma escola de bandidos, que os meninos que aqui estavam, saíam ainda pior… isso me deixou apavorada. Mas o pior de tudo foi ver o que meu filho fez com a vida e a juventude dele, pois isso trouxe consequências dolorosas pra muitas pessoas, mas também pra ele, que emocionalmente ainda levará muito mais tempo para entender e aceita, e talvez nunca supere, só aprenda a viver com isso.

E foi aqui que tive o apoio, o consolo, a palavra, as orientações e ao pouco foi caindo por terra tudo o que me disseram de ruim sobre a Fase. Eu vejo sim pessoas que não estão muito preocupadas com os meninos que estão aqui, apenas estão aqui cumprindo sua jornada de trabalho, mas eles são minoria. O que vejo mesmo, são pessoas que de uma forma ou de outra, dentro das suas tarefas, e com as ferramentas que tem, fazem o melhor que podem para que eles entendam que são seres humanos capazes das melhores coisas, que esse mundo tem coisas ruins perto deles, mas que podem fazer as escolhas certas e que estas trarão benefícios para eles, para a família e para a sociedade. Que realmente o crime não compensa!

Tem sido difícil, não vou dizer que é fácil e que estou feliz, mas agradeço a cada um, pelo apoio dado ao meu filho em específico, pois vejo nele, o reflexo que tudo o que tem aprendido aqui, com a dedicação dele, mas, sobretudo, com o incentivo, as palavras, o apoio na hora certa de cada um que tem passado nessa caminhada dele aqui dentro, e onde ele hoje já finalizou um curso, está em andamento em outro, abraçou cada oportunidade que lhe foi dada, mas, sobretudo teve mãos estendidas a ele pra que pudesse fazê-lo. Espero que ele nunca se esqueça de cada um que esteve ao lado dele, seja para uma palavra, uma orientação, uma crítica construtiva, ou para ouví-lo em um momento de necessidade.

Por fim, meu agradecimento especial a todos que nos recebem e dedicam seu dia de trabalho aos nossos filhos.

Muito obrigada!

Feliz Natal e um 2018 cheio de boas energias!

A carta pode ser conferida também através do link: carta

Foto: Arquivo Fase/Marcelo Vaz

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